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Fonte: http://gizelda-desassossego.blogspot.com.br/2012_03_01_archive.html
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Em um dia qualquer me
peguei contemplando a vida e ao observar a sucessão dos dias previamente
sequenciados no calendário ocidental percebi o quanto andamos apressados. Nesse
frenesi, fica a sensação de que os anos estão passando rápido demais para nós,
reles mortais, subordinados ao ciclo da vida, como qualquer outro ser vivo
tripulante da nave Terra.
Ninguém sabe ao certo
como chegou aqui. Não estou dizendo com isso que a reprodução humana seja um
mistério. Pelo contrário, hoje em dia nem mesmo as crianças acreditam na fábula
da cegonha. Contudo, as razões para sua presença e a minha neste planeta são
inexplicáveis. Seria algo parecido com o Mundo de Sophia... ou simplesmente a vontade
de Deus como as religiões explicam.
Uma coisa é fato,
nascemos, crescemos, nos reproduzimos, envelhecemos e morremos. Alguns
acreditam que a vida começa após o espermatozoide fecundar um óvulo e outros
que a vida é apenas o espaço entre o nascimento e a morte. Lembrei-me dos
embriões excedentes de tratamentos de fertilização e também da clonagem
terapêutica de células tronco que a Biologia e a Medicina acreditam serem as
chaves para cura de muitas doenças. Até onde irá nosso anseio de prolongar a
vida?
Tudo começa na barriga
da mamãe onde recebemos todos os nutrientes a nossa sobrevivência. Estamos em
um ovo, protegidos por liquido amniótico e tudo está a favor de nosso
desenvolvimento. De repente surge uma luz e seres estranhos. Calma, é apenas o
médico e as enfermeiras nos retirando do conforto e nos estimulando a chorar. Modéstia
a parte, eu fui um bebê diferente, ao invés de chorar eu sorri...
Nesse momento nosso
coraçãozinho já está pronto para pequenas emoções como receber o carinho da
mamãe. Daí respiramos o ar de cada dia, inalando oxigênio e expiramos gás carbônico
e entramos em contato com poeira e outras coisas prejudiciais a saúde que estão
presentes em nosso ar “puro”. O cérebro está equipado para aprender e explorar
esse mundo repleto de seres assustadores como as baratas e os micróbios, cheio
de novidades e perigos. Precisamos nos adaptar as mudanças.
Logo chega a infância, uma
fase mágica para algumas pessoas, brincadeiras, diversão, doces e festas, casa
da vovó. Tudo de melhor que a vida pode oferecer. Para outros a vida infantil é
o triste cumprimento de tarefas, responsabilidades e trabalho, a necessidade
fala mais alto e a infância fica esquecida. Essa situação que envergonha toda e
qualquer nação.
Para mim, criança deve
ter privilégio. Mudando de assunto, não concordo com a redução da maioridade
penal porque acredito que as crianças estão sendo corrompidas por nossa
sociedade e que algo precisa ser feito nesse sentido. Como diria Rousseau, na
obra Emílio “O homem nasce bom, a sociedade o corrompe”. As crianças em risco precisam
de esperança, perspectivas de vida, sonhos e de pessoas compromissadas com sua educação.
Em uma sequencia normal
das coisas, quando a infância está protegida e tudo ocorre ao seu tempo. Chega
a puberdade um período de transição durante o qual ocorrem transformações no
corpo de meninos e meninas. Não se é criança nem adolescente, apenas um ser em
transição que merece atenção dobrada.
A “aborrecência”... Ops,
a adolescência é uma fase complicada. Desobedecer a ordens, burlar regras e
desafiar os adultos é diversão. Por que não isso? Por que não aquilo? Se eu
sair escondido ninguém vai ficar sabendo. Ninguém manda em mim... blá blá blá.
O adolescente, ou pelo menos uma boa parte deles costumam, levar os pais e
responsáveis a loucura. Mas, certamente com o aumento da idade isso passa, pelo
menos é o que se espera.
Durante as aulas de
Psicologia do Desenvolvimento, disciplina optativa para os licenciandos em
Ciências Biológicas descobri que muita gente não consegue ultrapassar essa
fase. Alguns adultos se comportam como adolescentes e tem adolescentes que agem
como crianças. Fiquei admirada com a explicação da professora. Devo salientar
que não me encaixo nesse contexto, apesar de assistir Snoop e Bob Esponja.
Para tranquilidade de
alguns, o fato de uma vez ou outra um adulto se comportar como adolescente não
significa que ele não conseguiu atingir a maturidade para sua fase de vida. Em
alguns casos, o tratamento com psicólogos ajuda a encontrar respostas.
A imagem construída do
adulto é a de um ser equilibrado, possuidor de conhecimentos para lidar com as
diferentes situações da vida. Ele deve ser equilibrado e capaz de passar
segurança aos mais jovens. Apto a gerir sua família e repassar seus
conhecimentos a sua prole.
Na fase adulta
problemas reais não irão faltar. Contas, cobranças, exigências e pessoas
querendo que você cumpra missões impossíveis, como fritar um ovo. E se você é
um adulto que não sabe fritar ovo direito, guarde segredo ou espanto será
geral. Mas quem disse que adulto precisa saber fritar ovo? Confesso que essa
não é minha área...
Em quanto eu escrevo
essas linhas, as horas continuam passando. Tenho mais alguns minutos para
finalizar o texto porque o “tempo não para”, como está na letra de Arnaldo
Brandão cantada por Cazuza.
Daqui a alguns anos, a idade irá chegará.
Cabelos brancos, rugas, lentidão na caminhada, o corpo não será o mesmo. Mas, o
espirito e a mente estarão ali. Várias histórias para contar aos mais jovens e
muitos conselhos a dar. Sobre os erros cometidos transformados em experiências
e dos acertos que se tornaram grandes feitos. Infelizmente, nem todos terão o
privilégio de chegar à velhice. Muitos morrerão cedo demais para terem uma
história, outros terão histórias tão curtas... Os privilegiados que chegam nessa
fase da vida merecem todo carinho e cuidado.
A vida terrena finda
com a morte. Outra coisa que ninguém sabe explicar ao certo... Nosso coração deixa
de bombear o sangue. Não respiramos. O cérebro parou de funcionar, assim como
os demais órgãos. Nosso corpo sofrerá a ação dos microrganismos que o irão
decompor. Mas será que a vida acaba por aqui? Voltamos ao lugar de onde
viemos? O que acontece depois da morte?
Para mim, a vida é
ponto de vista, um processo, mudança de fases, um texto e um processo constante
de transformação, criação e recriação de significados. Vida é, simplesmente,
tudo aquilo de mais belo que existe no Universo, o que está dentro e fora de você.
Sua obra, seu significado, seu próprio
Eu.