Publicado no Jornal Carta Serrana.
Informação ao Pé da Letra.
Edição 35. Dezembro de 2015.
Direção Geral: Olivério Chagas
Não é de agora que os seres humanos são vitimados por doenças parasitárias. Desde a antiguidade as doenças provocadas por seres “insignificantes”, como vírus e bactérias, são motivos de grande preocupação.
O parasitismo é uma
relação entre seres vivos de espécies diferentes em que apenas um dos
envolvidos é beneficiado. Esses seres estão distribuídos nos diferentes grupos
como vírus, bactérias, fungos, vermes e insetos. Um exemplo clássico de
parasitismo é a lombriga instalada
no organismo humano que é o hospedeiro. De seu hospedeiro, a lombriga extrair
os nutrientes necessários a sua sobrevivência, provocando-lhe ascaridíase que é
uma doença infecciosa que atinge vários órgãos como coração, pulmões, fígado e
intestino delgado.
Os registros da
ocorrência de diferentes doenças parasitárias são encontrados na história das
antigas civilizações. Achados arqueológicos, múmias e estatuetas revelaram que civilizações
do Egito, Peru, México e Europa já sofriam com doenças parasitárias a exemplo
da lepra, varíola e elefantíase.
Apesar de o histórico
das parasitoses, os seus estudos só começaram a ser realizados a partir do
surgimento da microbiologia, com a utilização do microscópio aperfeiçoado por
Leeuwenhoek (1632-1723). Até aquele momento não se conhecia a causas de muitas
doenças. Os primeiros estudos de doenças provocadas por parasitas foram realizados
por Louis Pasteur (1843-1910), o primeiro a estabelecer a relação entre a
doença e o causador, e por Robert Koch (1843-1910) que foi o pioneiro a comprovar que as bactérias podem provocar
doenças nos seres vivos. 
Robert Koch (1843-1910)
A ação dos parasitas no organismo provocam efeitos prejudiciais como um
leve incomodo no caso ou até mesmo a morte. Obstruções do intestino
(lombrigas); perfurações da pele (esquistossomose); ulcerações (ameba); necrose
de tecidos; irritação, coceira, prurido (oxiúro); ação tóxica (bactérias);
esfoliação, enfraquecimento e anemia (plasmódio da malária); febres (vírus);
infecções locais e generalizadas (bactérias e fungos) são alguns efeitos
prejudiciais dos parasitas.
As viroses são doenças provocadas por vírus. Essas doenças são muito
comuns nos humanos e, geralmente, provocam sintomas como febre, dores de cabeça
e no corpo, falta de apetite e indisposição. As viroses têm sintomas parecidos,
o que dificulta o diagnóstico preciso.
Para o tratamento da maioria das
viroses os médicos indicam medicamentos para controlar a febre,
as dores, enjoos e vômitos. Também é recomendado que o paciente mantenha
repouso, hidratação e a alimentação adequada. Geralmente, os sintomas de uma
virose desaparecem entre três e sete dias.
As bactérias provocam a maioria das doenças humanas. As infecções
bacterianas podem ocorrer por inalação, ingestão ou contato direto com tais
organismos. Os sintomas se manifestam de diferentes formas a depender do tipo
de bactéria e a prevenção dessas doenças pode ser feita por meio de vacinação e
da adoção de medidas específicas como lavagem das mãos, cuidados de higiene com
os alimentos e o uso de preservativos.
O tratamento das bacterioses é feito por meio da administração de
antibióticos. Esses remédios só devem ser utilizados sob recomendação médica,
pois quando mal administrados podem provocar a seleção das bactérias mais
resistentes, possibilitando a piora do quadro clínico da pessoa acometida e o
surgimento de superbactérias.
Para diminuir o uso indiscriminado de antibióticos e evitar a
disseminação de superbactérias, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(ANVISA) estabeleceu critérios para sua prescrição e comercialização. Segundo a
Resolução, os antibióticos só devem ser vendidos sob prescrição médica, em
receita de duas vias, com a retenção de uma das vias.

Outras doenças provocadas por parasitas são a doença de Chagas e a malária
transmitidas por protozoários que habitam o organismo de insetos, o barbeiro e
o mosquito-prego (Anopheles).
A contaminação com o protozoário T. cruzi que provoca a doença de Chagas acontece quando o babeiro pica a pessoa. Quando o protozoário atinge o sangue circula pelo corpo e se instala no tecido muscular, principalmente, do coração provocando miocardite o que leva a pessoa a morte por insuficiência cardíaca. A malária é transmitida durante a picada da fêmea do mosquito-prego os protozoários que provocam a malária (plasmódios), ficam na saliva e são injetados na corrente sanguínea durante a picada. Os plasmódios penetram no fígado e no baço, em seguida migram para o sangue. Daí surge sintomas como febres, suor, prostração e tremores.
Besouro Barbeiro
As medidas de controle
vetorial são as principais ferramentas de combate a tais doenças. A redução do
número de insetos diminui a possibilidade de contaminação.
Observa-se que para maioria das doenças parasitárias o autocuidado é a
melhor forma de prevenção. Cada doença tem sua forma de contágio, tratamento e
controle. As medidas de saneamento básico e a prestação de assistência médica
são indispensáveis para manutenção da saúde e da boa qualidade de vida da
população e devem ser práticas contínuas.
Parasitas
|
Doença
|
Transmissão
|
Profilaxia
|
Vírus
|
Gripe
|
Contato
direto e gotículas de saliva
|
Vacina,
higiene das mãos.
|
Dengue,
febres Chikungunya e zika
|
Picada
da fêmea do mosquito Aedes aegypti
|
Eliminação
dos criadouros; controle dos insetos.
|
|
Bactérias
|
Leptospirose
|
Ferimentos
e mucosas em com urina de rato ou água contaminada com a urina.
|
Evitar
o contato com água contaminada principalmente nos períodos de chuva.
Eliminação do vetor.
|
Hanseníase
|
Contato
com secreção de narina, boca e pele de pessoas contaminadas.
|
Diagnóstico
precoce;
·
Exame, precoce, dos contatos intradomiciliares;
Uso da
BCG
|
|
Protozoários
|
Giardíase
|
Ingestão
de cistos eliminados nas fezes humanas
|
Saneamento
básico
|
Amebíase
|
|||
Nemátodos
(vermes)
|
Ancilostomose
(amarelão)
|
As
larvas penetram na pele
|
Uso
de calçados e sanitários
|
Enterobiose
(oxiurose)
|
Ingestão
de ovos
|
Higiene
pessoal
|



