Ao caminhar pelas ruas de uma
cidade, em um dia comum de feira livre, observo o comportamento de alguns
transeuntes que circulam pelas imediações do centro
Em meio ao
corre-corre percebo um fato inusitado, o recebimento e o descarte quase que
imediato de panfletos.
A prática acontece da seguinte
maneira, a pessoa passa em frente a um consultório ou loja e logo de cara um
panfletário (a) faz a entrega do famoso panfleto. O indivíduo recebe
educadamente, inclusive com um sorriso de propaganda de creme dental no
rosto. Até aí tudo bem... Afinal de
contas, o entregador de panfletos está cumprindo sua tarefa, recebendo pelo
trabalho realizado e merece ser tratado com educação como qualquer cidadão
comum, isso é óbvio. Mas, como explicar o fato de o transeunte, já na próxima esquina,
descartar em via pública o panfleto que acabara de receber? Essa atitude não
seria uma enorme falta de educação?
O problema da panfletagem é amplo
e tem como protagonistas aqueles que produzem os panfletos, quem entrega, os
que recebem e descartam. Quando realizada de forma incoerente, a panfletagem
torna-se um meio inviável de propaganda. A incoerência na utilização desse tipo
de material consiste no fato de não haver um planejamento adequando quanto, a
qualidade e a quantidade de panfletos confeccionados, a distribuição inadequada
e a pouca educação de quem recebe os panfletos.
Infelizmente, essa realidade está
presente não só em Itabaiana. Várias cidades do país passam por esse tipo de
problema. Sem refletir sobre suas ações as pessoas sujam as ruas por onde elas
próprias circulam. O acúmulo de lixo no final de um dia de feira chega a
assustar e muitos papeizinhos de propaganda estão presentes ali, contribuindo
para o aumento da poluição ambiental e visual.
Em meio a tanta sujeira, as
pessoas continuam no frenesi de suas atividades. Não existe um questionamento
ou indignação que atinja a todos, isso se restringe a poucos. Talvez os olhos
cansados das pessoas não permitam enxergar a rua como parte de sua casa. Vale
destacar que existem extremos. Pessoas que não receberam educação e que jogam
lixo inclusive em no interior de suas
casas e aqueles que tiveram acesso a educação de qualidade, mas que não
praticam ações condizentes com sua formação educativa. Em ambos os casos falta
reflexão e sensibilização. Afinal de contas, todos tem acesso a informação
sobre as consequências de jogar lixo na rua. E se nada é feito quanto a isso, a
culpa não é das estrelas.
Vale salientar que deixar a questão
da panfletagem a mercê da consciência individual (ou da coletiva) é inviável.
Torna-se indispensável uma mudança de postura social e que haja fiscalização.
Uma coisa que é muito complicada em nosso país, fiscalizar, certamente isso
resolveria alguns de nossos problemas básicos.
Imagine se cada pessoa que jogasse lixo na rua
fosse multada? Confesso que seria uma excelente medida para reduzir problemas
de saúde relacionados com o acúmulo de lixo em vias públicas. Além disso,
existe um abismo entre transitar por ruas limpas, bem cuidadas e caminhar em
meio à imundice.
Infelizmente, a prática
distancia-se da teoria em termos ambientais. Lembrei-me de uma matéria que li
no site da prefeitura de Três Lagoas, o título da matéria era assim: “Iniciada
a panfletagem e entrega de sacos ecológicos do Plano de Coleta Seletiva do
Munícipio”. De acordo com a matéria, os moradores dos bairros receberiam um
saco ecológico e panfletos explicativos sobre os procedimentos de coleta de
lixo. Detalhe, os panfletos seriam entregues de casa em casa juntamente com a
divulgação em carro de som.
O que tem de errado nessa
prática? Para um olhar desatento, nada. Mas não parece um pouco contraditório
produzir lixo para fazer campanhas ambientais? Não haveria outra forma de
divulgação mais eficiente, inclusive com a utilização das redes sociais?
Haveria uma forma de avaliar a eficácia de tal ação? Que relevância esse tipo
de ação teve para os moradores dos bairros? O que mudou a partir dessa ação?
Essas questões permanecerão em aberto, pois não foram encontradas informações a
respeito.
Ações realizadas sem planejamento
adequado tendem a não produzirem os efeitos esperados. Sejam elas realizadas por órgãos
governamentais, empresas ou por um morador de uma comunidade carente. É relevante
procurar pessoas capacitadas que tem conhecimento da dimensão ambiental e de
como as ações podem ser realizadas de forma coerente.
É preciso refletir sobre as ações
realizadas em nosso dia-a-dia. Todos têm responsabilidade e a necessidade
compreender o quanto somos prejudicados pelas consequências negativas das ações
humanas sob o ambiente mostra-se presente.
Quem sabe um dia nós possamos
caminhar em ruas limpas? Quem sabe a questão ambiental seja levada a sério
pelas autoridades e pela própria população? Talvez façam parte do primeiro
passo: carregar os próprios panfletos até a lixeira mais próxima, ou
simplesmente, com toda Educação a partir de hoje não aceitar receber esse tipo
de propaganda.
Faça sua parte!













