quarta-feira, 1 de junho de 2016

PANFLETAGEM x EDUCAÇÃO




Ao caminhar pelas ruas de uma cidade, em um dia comum de feira livre, observo o comportamento de alguns transeuntes que circulam pelas imediações do centro
 
Fonte: Disponível em www.tribunadonorte.com.br


Em meio ao corre-corre percebo um fato inusitado, o recebimento e o descarte quase que imediato de panfletos.

A prática acontece da seguinte maneira, a pessoa passa em frente a um consultório ou loja e logo de cara um panfletário (a) faz a entrega do famoso panfleto. O indivíduo recebe educadamente, inclusive com um sorriso de propaganda de creme dental no rosto.  Até aí tudo bem... Afinal de contas, o entregador de panfletos está cumprindo sua tarefa, recebendo pelo trabalho realizado e merece ser tratado com educação como qualquer cidadão comum, isso é óbvio. Mas, como explicar o fato de o transeunte, já na próxima esquina, descartar em via pública o panfleto que acabara de receber? Essa atitude não seria uma enorme falta de educação?

O problema da panfletagem é amplo e tem como protagonistas aqueles que produzem os panfletos, quem entrega, os que recebem e descartam. Quando realizada de forma incoerente, a panfletagem torna-se um meio inviável de propaganda. A incoerência na utilização desse tipo de material consiste no fato de não haver um planejamento adequando quanto, a qualidade e a quantidade de panfletos confeccionados, a distribuição inadequada e a pouca educação de quem recebe os panfletos.

Infelizmente, essa realidade está presente não só em Itabaiana. Várias cidades do país passam por esse tipo de problema. Sem refletir sobre suas ações as pessoas sujam as ruas por onde elas próprias circulam. O acúmulo de lixo no final de um dia de feira chega a assustar e muitos papeizinhos de propaganda estão presentes ali, contribuindo para o aumento da poluição ambiental e visual.

Em meio a tanta sujeira, as pessoas continuam no frenesi de suas atividades. Não existe um questionamento ou indignação que atinja a todos, isso se restringe a poucos. Talvez os olhos cansados das pessoas não permitam enxergar a rua como parte de sua casa. Vale destacar que existem extremos. Pessoas que não receberam educação e que jogam lixo inclusive em  no interior de suas casas e aqueles que tiveram acesso a educação de qualidade, mas que não praticam ações condizentes com sua formação educativa. Em ambos os casos falta reflexão e sensibilização. Afinal de contas, todos tem acesso a informação sobre as consequências de jogar lixo na rua. E se nada é feito quanto a isso, a culpa não é das estrelas.

Vale salientar que deixar a questão da panfletagem a mercê da consciência individual (ou da coletiva) é inviável. Torna-se indispensável uma mudança de postura social e que haja fiscalização. Uma coisa que é muito complicada em nosso país, fiscalizar, certamente isso resolveria alguns de nossos problemas básicos.

 Imagine se cada pessoa que jogasse lixo na rua fosse multada? Confesso que seria uma excelente medida para reduzir problemas de saúde relacionados com o acúmulo de lixo em vias públicas. Além disso, existe um abismo entre transitar por ruas limpas, bem cuidadas e caminhar em meio à imundice.

Infelizmente, a prática distancia-se da teoria em termos ambientais. Lembrei-me de uma matéria que li no site da prefeitura de Três Lagoas, o título da matéria era assim: “Iniciada a panfletagem e entrega de sacos ecológicos do Plano de Coleta Seletiva do Munícipio”. De acordo com a matéria, os moradores dos bairros receberiam um saco ecológico e panfletos explicativos sobre os procedimentos de coleta de lixo. Detalhe, os panfletos seriam entregues de casa em casa juntamente com a divulgação em carro de som.

O que tem de errado nessa prática? Para um olhar desatento, nada. Mas não parece um pouco contraditório produzir lixo para fazer campanhas ambientais? Não haveria outra forma de divulgação mais eficiente, inclusive com a utilização das redes sociais? Haveria uma forma de avaliar a eficácia de tal ação? Que relevância esse tipo de ação teve para os moradores dos bairros? O que mudou a partir dessa ação? Essas questões permanecerão em aberto, pois não foram encontradas informações a respeito.

Ações realizadas sem planejamento adequado tendem a não produzirem os efeitos esperados.  Sejam elas realizadas por órgãos governamentais, empresas ou por um morador de uma comunidade carente. É relevante procurar pessoas capacitadas que tem conhecimento da dimensão ambiental e de como as ações podem ser realizadas de forma coerente.

É preciso refletir sobre as ações realizadas em nosso dia-a-dia. Todos têm responsabilidade e a necessidade compreender o quanto somos prejudicados pelas consequências negativas das ações humanas sob o ambiente mostra-se presente.

Quem sabe um dia nós possamos caminhar em ruas limpas? Quem sabe a questão ambiental seja levada a sério pelas autoridades e pela própria população? Talvez façam parte do primeiro passo: carregar os próprios panfletos até a lixeira mais próxima, ou simplesmente, com toda Educação a partir de hoje não aceitar receber esse tipo de propaganda.

Faça sua parte!