sexta-feira, 6 de novembro de 2015

DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E PRESERVAÇÃO AMBIENTAL: O ROMPER DA FRAGMENTAÇÃO



*Publicado no Jornal Carta Serrana. 
Informação  ao Pé da  Letra.
Edição 32. Setembro de 2015.
Direção Geral de Olivério Chagas


Fonte: Blog Planeta Sustentável
http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/


O desenvolvimento econômico tem sido apontado como principal responsável pela degradação ambiental. De fato, o aumento significativo dos problemas ambientais está relacionado aos fatores econômicos e sociais. A mudança de cenário depende da adoção de alternativas sustentáveis que na maioria das vezes são deixadas em segundo plano.
De acordo com a literatura existem duas correntes que tratam do desenvolvimento econômico, ambas atreladas à ideia de crescimento. A primeira corrente diz que desenvolvimento é sinônimo de crescimento econômico. Já a segunda, considera o crescimento como uma condição para o desenvolvimento. Como assim? É simples, o crescimento econômico pode ser entendido como aumento da renda per capita e o desenvolvimento econômico inclui o aumento da produtividade a partir de mudanças estruturais do sistema econômico. Os dois conceitos são interdependentes, ou seja, para que o segundo exista é necessário o primeiro.
Na prática os fatores econômicos, sociais e ambientais fazem parte de um único sistema. A economia depende dos recursos naturais para existir. O setor primário realiza a exploração direta dos recursos por meio da agricultura, do extrativismo animal e vegetal. Esse setor fornece a matéria-prima às indústrias. As indústrias fazem parte do setor secundário da economia, que é responsável pela transformação das matérias-primas em roupas, calçados, alimentos industrializados, entre outros. O setor terciário se responsabiliza pela oferta de serviços, como a comercialização de produtos, por exemplo.
As atividades realizadas nos três setores econômicos geram impactos ambientais. Esses impactos podem ser definidos como qualquer alteração significativa no meio ambiente provocada pela ação humana. Isso pode ser exemplificado por meio de três atividades econômicas, a saber: a agricultura tradicional, a indústria da carne e o comércio.
Na agricultura tradicional existe a utilização excessiva de agrotóxicos e de fertilizantes que disseminam substâncias tóxicas responsáveis por contaminar o solo, os corpos d’água e lençóis freáticos, o ar e os organismos vivos, prejudicando a saúde humana, tanto do produtor como do consumidor. Com o passar do tempo, o solo tende a se tornar infértil. É previsível, também, que com o aumento das macrófitas ocorra a mortandade de peixes (e de outros organismos aquáticos) devido à diminuição no nível de oxigênio dissolvido na água. Em nível de conhecimento, as macrófitas são plantas aquáticas de rápida reprodução em ambientes com elevados níveis de nutrientes. O excesso dessas plantas dificulta a entrada de luz solar na coluna d’água. Sabe-se que os organismos fotossintetizantes, a exemplo de alguns tipos de algas, dependem da luz solar para que o processo de fotossíntese se realize e possa ocorrer a liberação de oxigênio.
A indústria da carne é outro exemplo de atividade econômica que tem gerado grandes impactos ambientais. O descarte indevido de resíduos como sangue, ossos e vísceras provoca a contaminação do solo e de corpos d’água. Além de oferecer grande risco à saúde da população, considerando a existência de abatedouros clandestinos.
O comércio é sem dúvida uma atividade econômica fundamental. A venda e a compra de produtos são indispensáveis nos dias atuais. Contudo, existe um exagero por parte dos consumidores, que acabam se deixando levar pela obsolescência preceptiva, comprando itens desnecessários cujo tempo de uso é limitado e o descarte rápido. Isso contribui para geração cada vez maior de lixo. Além disso, existe o problema da panfletagem comercial. Muitas pessoas recebem panfletos, simplesmente por “educação” e em seguida os descartam nas ruas.  Como disse Samuel Gondim, esse tipo de propaganda é ineficiente, socialmente injusta, ambientalmente incorreta e economicamente inviável.
A preservação ambiental e o desenvolvimento econômico devem estar interligados. Entre as vantagens que essa aliança oferece estão a diminuição dos gastos com saúde e limpeza pública, o aumento da longevidade, o melhor aproveitamento dos recursos para geração de renda e a manutenção de ambientes saudáveis.
Algumas iniciativas de sustentabilidade têm sido adotadas por vários países como foi divulgado pelo órgão de pesquisa ambiental Environmental Performance Index (EPI) em 2012. Um dos critérios da pesquisa foi a realização de ações sobre temas específicos, a saber:  saúde ambiental; poluição do ar; água; a biodiversidade e habitat; florestas e alterações climáticas. Entre os países ‘mais verdes’ se destacaram: Suíça, Letônia, Noruega, Luxemburgo, Costa Rica, França, Austrália, Itália, Reino Unido e Suécia.
Para que ocorra mudança no cenário de degradação ambiental observado hoje é necessário que a teoria da sustentabilidade seja colocada em prática. A adoção de alternativas, pautadas nessa vertente, mostra-se possível quando existe força de vontade por parte da sociedade como um todo. Romper com a fragmentação impregnada no pensamento das pessoas que compõem a sociedade é o grande desafio. Cabe aos ‘gestores do planeta’, superar essa dificuldade para que se propaguem ações sustentáveis em prol da proteção ambiental, estando elas interligadas ao desenvolvimento econômico de países, estados e municípios. Como diria o Capitão Planeta: o poder é de vocês!


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