Publicado no Jornal Carta Serrana.
Informação ao Pé da Letra.
Edição 33. Setembro de 2015.
Direção Geral: Olivério Chagas
Quem não fugiu das aulas de Ciências sabe que o ar atmosférico é formado pela mistura de vários gases e vapor de água. Mas no ar que respiramos existem muito mais ingredientes do que sonha a nossa vã filosofia.
Os principais gases que
formam a atmosfera são oxigênio, nitrogênio, gás carbônico e gases nobres, presentes
no ar atmosférico em menor quantidade. Partículas de poeira e poluentes como
material biológico, vapor e partículas sólidas também fazem parte do ar que
inalamos todos os dias.
A intensificação da
industrialização no século XIX contribuiu para o aumento da poluição do ar.
Segundo Antônio
Leite Alves Radicchi, professor
da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG,
a poluição do ar pode ser definida
como a liberação na atmosfera de qualquer substância que altere a constituição
natural do ar, afetando negativamente espécies animais, seres humanos e
vegetais, ou provocando modificações físico-químicas indesejáveis em espécies
minerais.
De acordo com a Resolução CONAMA n° 03/1990, considera-se como poluente
atmosférico toda e qualquer forma de matéria ou energia com intensidade e em
quantidade, concentração, tempo ou características em desacordo com os níveis
estabelecidos, e que tornem ou possam tornar o ar impróprio, nocivo ou ofensivo
à saúde, inconveniente ao bem-estar público, danoso aos materiais, à fauna e à
flora ou prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades
normais da comunidade.
Um exemplo clássico de poluição do ar ocorreu em 1952, em Londres. O
desastre ficou conhecido como “O Nevoeiro de 1952” ou Big Smoke. O impacto ambiental foi provocado pela queima
desenfreada de carvão contendo enxofre e metais pesados. A camada de ar frio
fez com que os poluentes se acumulassem. O acúmulo de fumaça e partículas de
carvão foi se intensificando; aproximadamente 12 mil pessoas morreram e 100 mil
ficaram doentes. As mortes foram provocadas por infecções do trato respiratório
(bronquite e pneumonia) e pela obstrução das vias respiratórias.
Para se ter uma ideia,
a poluição atmosférica causou a morte de mais de 7 milhões de pessoas no mundo
em 2012. O estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que os
problemas relacionados à poluição do ar têm matado mais do que a AIDS e a
Malária.
Segundo a OMS é aceitável um máximo de 50 microgramas de
partículas por metro cúbico de ar por dia. No Brasil, esse limite é de 150. O
estudo realizado aponta que, no Rio de Janeiro, 36 mil pessoas morreram entre
2006 e 2012 por doenças respiratórias ou cardiovasculares ligadas à poluição do
ar. No estado de São Paulo, foram 99 mil mortes entre 2006 e 2011.
Em São Paulo,
aproximadamente 68,5 mil pessoas deram em entrada nos hospitais com problemas
atribuídos à poluição ar em 2011. As internações e mortes custaram mais de R$
246 milhões ao sistema público e privado de Saúde, afirmou a médica Evangelina
Vormittag, diretora executiva do Instituto Saúde e Sustentabilidade e
coordenadora da pesquisa.
Além disso, a poluição do ar pode estar relacionada ao aumento do número
de casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC). De acordo com pesquisadores do
Centro Médico Langone, Hospital da Universidade de Nova York, nos Estados
Unidos, a poluição teria relação com o estreitamento das artérias responsáveis
por transportar o sangue arterial do coração para o cérebro. O entupimento de
tais artérias provoca o AVC.
A liberação de poluentes para atmosfera é originária de fontes naturais
como a fumaça emitida das queimadas naturais, atividade vulcânica e microbiológicas
nos oceanos, entre outras. Entre as fontes antropogênicas (provocadas pelas
ações humanas) estão as fábricas, usinas de energia, carros, motoros,
queimadas, aerossóis, sprays etc.
Em Sergipe as fontes que mais poluem o ar são antrópicas e estão
relacionadas às atividades industriais, exemplo disso são os povoados Machado, Estivas e Estivas II,
localizados em Laranjeiras, e Nossa Senhora do Socorro, região na qual está
inserido um grande complexo industrial cimenteiro, segundo avaliação da poluição
atmosférica realizada por Ferreira e colaboradores em 2014. Os resultados do
estudo mostraram a necessidade de se efetuar estudos epidemiológicos para
proteção da saúde e estabelecimento de medidas mitigadoras para essa população
exposta a concentrações mais elevadas de poluentes.
Em Itabaiana, as principais fontes de poluição de ar também
estão relacionadas às atividades industriais. Dentre as quais se destacam as
cerâmicas, que são tradição no município. A queima de lenha utilizada nos
fornos das cerâmicas produz fuligem e a liberação de gases tóxicos para a
atmosfera, o que provoca problemas de saúde na população.
Há
cinco anos, a Promotoria de Justiça de Itabaiana do Ministério
Público do Estado de Sergipe (MPE) realizou Audiência Pública com proprietários
de panificadoras e supermercados de Itabaiana, a fim de conter a emissão de
poluentes atmosféricos (fumaça e material particulado) provenientes da queima
de lenha sem a utilização de sistema de controle. Os 25 estabelecimentos
comerciais ficaram cientes das medidas que precisariam adotar para regularizar
o seu funcionamento e encerrar a poluição atmosférica causada. Para se
adequarem aos padrões da legislação ambiental em vigor.
Na
época, a Associação dos Ceramistas de
Itabaiana convidou a Administração Estadual do Meio Ambiente (ADEMA) para
um bate-papo junto aos empresários do segmento a fim de somar esforços a favor
da celeridade no licenciamento ambiental das mais de 30 cerâmicas do município.
A reunião ocorreu na Associação Comercial de Itabaiana. O
presidente da Adema, Wanderlê Correia, presente na reunião ao lado das
diretorias de Licenciamento e a de Fiscalização, além da Procuradoria Jurídica
do órgão ambiental, revelou não medir esforços para ajudar os ceramistas na
celeridade das licenças.
Até o presente
momento não foram encontradas informações atuais sobre a qualidade do ar em
Itabaiana. Espera-se que os problemas antes observados tenham sido resolvidos e
que os novos problemas sejam mitigados.
A manutenção da
qualidade do ar é indispensável à saúde dos seres vivos e essencial à vida,
logo precisa ser cuidado. Quem sabe um dia, pela união de nossos poderes,
cuidar do ar que respiramos, da água que bebemos e dos alimentos que consumimos
faça parte de nosso cotidiano.
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