terça-feira, 29 de dezembro de 2015

AS PRINCIPAIS PARASITOSES HUMANAS


Publicado no Jornal Carta Serrana.
  Informação ao Pé da Letra.  
Edição 35. Dezembro de 2015.
Direção Geral: Olivério Chagas

Não é de agora que os seres humanos são vitimados por doenças parasitárias. Desde a antiguidade as doenças provocadas por seres “insignificantes”, como vírus e bactérias, são motivos de grande preocupação.
O parasitismo é uma relação entre seres vivos de espécies diferentes em que apenas um dos envolvidos é beneficiado. Esses seres estão distribuídos nos diferentes grupos como vírus, bactérias, fungos, vermes e insetos. Um exemplo clássico de parasitismo é a lombriga instalada no organismo humano que é o hospedeiro. De seu hospedeiro, a lombriga extrair os nutrientes necessários a sua sobrevivência, provocando-lhe ascaridíase que é uma doença infecciosa que atinge vários órgãos como coração, pulmões, fígado e intestino delgado.
Os registros da ocorrência de diferentes doenças parasitárias são encontrados na história das antigas civilizações. Achados arqueológicos, múmias e estatuetas revelaram que civilizações do Egito, Peru, México e Europa já sofriam com doenças parasitárias a exemplo da lepra, varíola e elefantíase.

Apesar de o histórico das parasitoses, os seus estudos só começaram a ser realizados a partir do surgimento da microbiologia, com a utilização do microscópio aperfeiçoado por Leeuwenhoek (1632-1723). Até aquele momento não se conhecia a causas de muitas doenças. Os primeiros estudos de doenças provocadas por parasitas foram realizados por Louis Pasteur (1843-1910), o primeiro a estabelecer a relação entre a doença e o causador, e por Robert Koch (1843-1910) que foi o pioneiro a comprovar que as bactérias podem provocar doenças nos seres vivos. 

                      
                                  Robert Koch (1843-1910)

A ação dos parasitas no organismo provocam efeitos prejudiciais como um leve incomodo no caso ou até mesmo a morte. Obstruções do intestino (lombrigas); perfurações da pele (esquistossomose); ulcerações (ameba); necrose de tecidos; irritação, coceira, prurido (oxiúro); ação tóxica (bactérias); esfoliação, enfraquecimento e anemia (plasmódio da malária); febres (vírus); infecções locais e generalizadas (bactérias e fungos) são alguns efeitos prejudiciais dos parasitas.
As viroses são doenças provocadas por vírus. Essas doenças são muito comuns nos humanos e, geralmente, provocam sintomas como febre, dores de cabeça e no corpo, falta de apetite e indisposição. As viroses têm sintomas parecidos, o que dificulta o diagnóstico preciso.
Para o tratamento da maioria das viroses os médicos indicam medicamentos para controlar a febre, as dores, enjoos e vômitos. Também é recomendado que o paciente mantenha repouso, hidratação e a alimentação adequada. Geralmente, os sintomas de uma virose desaparecem entre três e sete dias.
As bactérias provocam a maioria das doenças humanas. As infecções bacterianas podem ocorrer por inalação, ingestão ou contato direto com tais organismos. Os sintomas se manifestam de diferentes formas a depender do tipo de bactéria e a prevenção dessas doenças pode ser feita por meio de vacinação e da adoção de medidas específicas como lavagem das mãos, cuidados de higiene com os alimentos e o uso de preservativos.
O tratamento das bacterioses é feito por meio da administração de antibióticos. Esses remédios só devem ser utilizados sob recomendação médica, pois quando mal administrados podem provocar a seleção das bactérias mais resistentes, possibilitando a piora do quadro clínico da pessoa acometida e o surgimento de superbactérias.
Para diminuir o uso indiscriminado de antibióticos e evitar a disseminação de superbactérias, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabeleceu critérios para sua prescrição e comercialização. Segundo a Resolução, os antibióticos só devem ser vendidos sob prescrição médica, em receita de duas vias, com a retenção de uma das vias.

Outras doenças provocadas por parasitas são a doença de Chagas e a malária transmitidas por protozoários que habitam o organismo de insetos, o barbeiro e o mosquito-prego (Anopheles). 

A contaminação com o protozoário T. cruzi que provoca a doença de Chagas acontece quando o babeiro pica a pessoa. Quando o protozoário atinge o sangue circula pelo corpo e se instala no tecido muscular, principalmente, do coração provocando miocardite o que leva a pessoa a morte por insuficiência cardíaca. A malária é transmitida durante a picada da fêmea do mosquito-prego os protozoários que provocam a malária (plasmódios), ficam na saliva e são injetados na corrente sanguínea durante a picada. Os plasmódios penetram no fígado e no baço, em seguida migram para o sangue. Daí surge sintomas como febres, suor, prostração e tremores. 



Besouro Barbeiro
As medidas de controle vetorial são as principais ferramentas de combate a tais doenças. A redução do número de insetos diminui a possibilidade de contaminação.
Observa-se que para maioria das doenças parasitárias o autocuidado é a melhor forma de prevenção. Cada doença tem sua forma de contágio, tratamento e controle. As medidas de saneamento básico e a prestação de assistência médica são indispensáveis para manutenção da saúde e da boa qualidade de vida da população e devem ser práticas contínuas.
Parasitas
Doença
Transmissão
Profilaxia

Vírus
Gripe
Contato direto e gotículas de saliva
Vacina, higiene das mãos.
Dengue, febres Chikungunya e zika
Picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti
Eliminação dos criadouros; controle dos insetos.



Bactérias

Leptospirose
Ferimentos e mucosas em com urina de rato ou água contaminada com a urina.
Evitar o contato com água contaminada principalmente nos períodos de chuva. Eliminação do vetor.

Hanseníase
Contato com secreção de narina, boca e pele de pessoas contaminadas.
Diagnóstico precoce;
·         Exame, precoce, dos contatos intradomiciliares;
Uso da BCG

Protozoários
Giardíase
Ingestão de cistos eliminados nas fezes humanas

Saneamento básico
Amebíase

Nemátodos (vermes)
Ancilostomose
(amarelão)
As larvas penetram na pele
Uso de calçados e sanitários
Enterobiose (oxiurose)
Ingestão de ovos
Higiene pessoal


Nenhum comentário:

Postar um comentário