Publicado no Jornal Carta Serrana.
Informação ao Pé da Letra.
Edição 34. Outubro de 2015.
Direção Geral: Olivério Chagas
O mosquito transmissor do dengue, chikungunya e zika é originário do Egito, na África, e vem se espalhando pelas regiões tropicais e subtropicais do planeta desde o século XVI, período das Grandes Navegações. Admite-se que o vetor foi introduzido no Novo Mundo, no período colonial, por meio de navios que traficavam escravos. Ele foi descrito cientificamente pela primeira vez em 1762, quando foi denominado culex aegypti. O nome definitivo – Aedes aegypti – foi estabelecido em 1818, após a descrição do gênero Aedes (Instituto Oswaldo Cruz).
O chikungunya (CHIKV)
foi descrito pela primeira vez em 1950 na região que hoje corresponde à
Tanzânia durante um surto atribuído inicialmente ao vírus dengue. Já o zika (ZIKAV) foi identificado pela primeira vez em 1947 em um
macaco rhesus na floresta Zika, de Uganda. A partir da década de 1950, foram
registradas evidências do zika vírus em humanos em países da África e Ásia.
Atualmente, existem registros do vírus na Oceania, Canadá, Alemanha, Itália,
Japão, Estados Unidos e Austrália.
A febre chikungunya e o
vírus zika estão incrementando a lista de preocupações dos brasileiros. Como se
não bastasse a dengue, conhecida de muitos anos, as novas doenças estão se disseminando
pelo País. Para felicidade das pessoas, mais uma vez o mosquito Aedes aegypti é o protagonista da
história e a forma de controle não é novidade pra ninguém.
Entre janeiro e
novembro de 2015 foram registrados mais de um milhão de casos suspeitos de
dengue no País. As regiões com maior número de incidência de dengue foram
Centro-Oeste e Sudeste, com destaque para os estados de São Paulo e Goiás. O
Nordeste apresentou um número expressivo de casos prováveis, 278 mil casos. No
País ocorreram 811 óbitos por dengue, nesse período, isso representa um aumento
de 79% em comparação com o mesmo período de 2014, quando foram confirmados 453
óbitos.
Em Sergipe, os municípios de
Itabaianinha, Nossa Senhora Aparecida e Simão Dias estão em risco de epidemia.
No estado, de janeiro a outubro, foram notificados 7 mil casos, com a confirmação
de dois óbitos.
Em 2014, foram
notificados 3.657 casos suspeitos de febre de chikungunya nos estados da Bahia,
Amapá, Roraima, Mato Grosso do Sul e no Distrito Federal. Já em 2015, foram notificados
17.131 casos suspeitos de chikungunya. A transmissão da febre pelo zica vírus
foi confirmada a partir de abril deste ano em 18 estados brasileiros.
Os dados apresentados
acima fazem parte do Boletim Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em
Saúde do Ministério da Saúde. As informações sobre os casos de chikungunya e da
febre causada pelo zika vírus ainda são poucas. Nota-se a ausência de dados
sobre os casos greves da doença e o número de óbitos. Isso pode ser considerado
motivo de preocupação, tendo em conta que o número de infectados tem aumentado
muito nesse período.
As
três doenças têm sintomas parecidos, sendo diferenciados por sua intensidade. Os
principais sintomas da dengue são febre alta, dor de cabeça, dores no corpo e
articulações, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele. Nos
casos graves, o doente também pode ter sangramentos, dor abdominal, vômitos
persistentes, sonolência, irritabilidade, hipotensão e tontura.
A dor
nas articulações, pés e mãos é o principal sintoma da chikungunya. Outros
sintomas como febre alta, dores de cabeça, dor nos músculos e manchas vermelhas
na pele também foram identificados. Já os sintomas da febre zika são febre,
dores e manchas no corpo, sinais, conjuntivite e diarreia em alguns casos.
O
vírus zika pode estar relacionado ao surto de microcefalia no País. Muitos
bebês têm nascido com o cérebro menor do
que o esperado. A principal hipótese
é que o vírus atravessaria a barreira placentária e entraria no corpo da
criança, prejudicando a formação do cérebro. Os cientistas identificaram por
meio de exames sinais de infecção viral no cérebro e no líquido amniótico em
fetos.
O diagnóstico e o
tratamento adequado são essenciais para recuperação do doente. Fica a cargo dos
médicos a solicitação de exames laboratoriais, a exemplo do hemograma, para
verificação do número de plaquetas ou de alguma alteração significativa.
Como não
existem vacinas para prevenir e nem remédios específicos para tratar essas doenças, para amenizar os sintomas
recomenda-se hidratação, uso de paracetamol ou dipirona para controlar a dor e
a febre. Também é importante evitar o uso de analgésicos a base de
acetilsalicílico (aspirina), pois podem aumentar o risco de hemorragias.
A
diminuição do número de mosquitos é a forma mais eficaz de prevenção. Isso
implica no conhecimento do habitat do inseto e na eliminação dos criadouros. Todos
sabem que a fêmea do Aedes aegypti
deposita seus ovos em água parada. Logo, algumas medidas simples podem ser
tomadas como: a) evitar o acúmulo de lixo; b) manter limpo e cobrir os
reservatórios de água; c) tratar a água de piscinas com cloro; d) armazenar
garrafas e outros recipientes em locais cobertos; e) não jogar lixo nas ruas;
f) avisar aos agentes públicos sobre as situações que não podem ser resolvidas
para que alguma providência seja tomada.
Diante
da ameaça eminente de uma epidemia de grandes proporções, quem poderia imaginar
que em pleno século XXI com todos os avanços tecnológicos e científicos, os
seres humanos continuariam sendo vítimas de seres microscópicos? Todos têm
responsabilidade pelo cuidado ambiental, autoridades e sociedade civil, para
que esse tipo de situação, evitável com medidas simples, não se torne a
principal preocupação dos brasileiros.


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